Ah! Quero ouvir as serenatas
Ver crescer as nossas matas e tocar um violão
Ah! Meu amigo vem cantar
Pois o dia vai raiar e morar nesta canção
Ah! Que saudades do poeta,
Do artista e do profeta
Que o tempo eternizou.
Ah! Como eu falei de flores,
Liberdade, beija-flores,
Que meu coração sonhou.
Ah! Ver crianças pelas praças, paz e pipa, pão de graça
Como cheiro de hortelã.
Ah! Água pura ali na fonte
E a gente a olhar os montes, sem ter medo do amanhã.
Ah! O meu lindo continente, que fez do sangue a semente,
Para ver o sol nascer.
Ah! Nossas matas tão bonitas,
Verdes mares, canto a vida, quando o dia amanhecer.
Ah! Quanta luta na fronteira,
Tanta dor na cordilheira, que o Condor não voou.
Ah! Dança e terra Guaranis,
De uma raça tão feliz que o homem dizimou.
Ah! Vou nos passos de um menino,
No meu coração latino a esperança tem lugar.
Ah! Quando bate a saudade,
Abre as asas liberdade, que não para de cantar.
Gildásio Mendes
O Perdão
Um céu sem estrelas,
tudo nublado diante a olhos tristes.
O mar não tem mais o entusiasmo como outrora,
quando se sentava na orla e podia ouvir o quebrar das ondas.
O som do vento atingindo seu rosto,
e os raios a iluminar a escuridão da noite.
Como fotografias de infinitos momentos,
o relógio o prepara para mais uma pergunta.
Como um banco vazio no fim de tarde,
apenas um coração solitário e ninguém a entende-lo.
Um mente marcada por embates e escolhas,
cicatrizes e feridas não tratadas.
Sentindo as águas turvas do mar,
correr entre os vãos de seus dedos.
Os grãos de areia têm uma história triste ou feliz,
mas ficam a esperar por um novo nascer do sol.
Quando as lágrimas,
escorrem friamente pela pele inerte a tanta solidão,
desespera-se a ter uma resposta imediata do tempo.
Gritando em meio ao silêncio para seu coração.
Como um simples trovoar,
uma fina garoa acorda sua alma e o mostra sua verdade,
sua busca.
Tudo o que procurou não foi uma explicação do passado,
mas um sentimento maior do que o próprio amor.

Tiago de Oliveira B. Arruda